Aquela canção.

Ouço um assobiar no meio de uma floresta, tão doce e encantador, ecoava pelos cantos das árvores, por cada gota de água que outrora caíra após uma chuva pueril. Meu coração parou, assim como tudo em volta, pensei que tinha morrido, enlouquecido, amedrontado. Notei que estava estupefato, aquela canção era um remédio para todo o meu ser, eu me sentia feliz e triste, bem e mau, eu era o rei do mundo e o mundo não era o meu súdito. Percebi que morria a cada tom, a cada nota, a cada minuta, aquela não era uma canção. Subestimei a si mesmo, não sabia o que ouvia, não sabia o que sentia e se sentia, até que não ouvi mais. Então, descobri que aquela canção era tão eu quanto qualquer outra coisa mundana. O silêncio me incomodava, me reiterava a vontade de ter e sem querer, eu quero a cada minuto. A intensidade do meu ser me incomodava tanto a mim quanto a partes de mim, meus lábios tremiam, minha perna meneava, meu coração oscilava, minhas pálpebras inquietava. Então desamarrei as minhas amarras e suspirei. Quem ouve aquela canção além de mim ? Talvez ela, talvez ninguém, talvez alguém.

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