Legitimando

A dor, como a ira, pode ser legítima. Tem esse direito. E, quando se torna legítima, também se torna pessoal. E é aí que se perde o ser humano. Por não saber lidar muito bem com o pessoal, o sentimental.
Uma noite, pouco depois de terminar um namoro de quase dois anos, ainda em prantos por ter sido da forma que foi, liguei pro meu melhor amigo. Ele, no alto da calma dele, numa tentativa de consolo, me disse que era normal, correto, eu sentir raiva.
Eu então odiei ele, por um momento.
Minha raiva, meu sentimento, era pessoal. Por mais que eu tivesse exposto como eu estava, buscando um guia para como proceder, ele não tinha o direito de saber o quão normal era aquela situação.
Me lembrei então de uma tragédia um pouco (muito) pior pela qual ele tinha passado. E então entendi o que ele estava me dizendo. Aquela noite foi difícil, onde nem em casa eu dormi. Precisei me punir e, para tal, dormi na garagem, no chão, duro e gelado.
Ele então me mandou uma mensagem no meio da madrugada: “O seu coração agora dói. Mas ele, nem você, nunca, vão desistir. E, como o meu, você, seu coração, sua alma hoje quebrada, vão se lembrar.”

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