Cinza num dia azul.

Ela, sozinha, se desespera.

E desaba. Na agonia de deixar a mágoa se esvair através de lágrimas, algo a mantém sã.Talvez não sã, mas inteira. Na verdade, não inteira, já que por dentro tudo parece estar em frangalhos.
Os cabelos amarelos, bem como a blusa, presos num coque, parecem estáticos tal qual ela. A cicatriz no tórax indica que o coração já tenha doído, mas não como dessa vez.
Se é que o problema agora é o coração. Pode ser a alma que se partiu, vai saber.

De toda forma, vê-la assim me dói, porque apesar do choro,  da angústia, do digitar amargo ao celular numa tentativa de resolver a situação, era possível sentir um cheiro de raiva no ar.

Por se tratar da situação que ocorria dentro dela, mas não a que o celular insistia em apresentar. Era algo diferente. Aqueles olhos chorosos mostravam que  ela queria era gritar, se explodir pro mundo. Talvez fosse isso que mais me incomodava. Ou o fato de as notícias que chegavam terem transformado o dia quente e cheio de cores que o sol proporcionava, de repente, em algo cinza, frio, desesperançoso.

Pude observar, escrever, sentir tudo isso. Mas não tive a coragem para dizer que, talvez, não fosse o fim da linha. Não reuni o necessário para dizer “Tem sempre um porém.”. Ou, para ousadamente, dar um abraço nela.

Ela, sozinha, não sabe que escrevi o texto numa viagem entre Rio e Niterói nas barcas.

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