Anos que se foram.

Era mais uma manhã de aulas e ele seguia seu rumo em direção à sala.
“Quem dera o primeiro andar fosse usado para propósitos melhores, subir escada a essa hora dói a alma.”, pensou enquanto caminhava vagarosamente, pacientemente, matinalmente.
A faculdade perdera a graça a partir do momento que terminou o namoro, lá ainda no terceiro período. Hoje, quase terminando, se arrastava mecanicamente para as torturantes classes que teimavam em se arrastar.
Qual não foi sua surpresa ao se deparar com as escadas apagadas. Milhares de milhões de lembranças logo lhe invadiram. O quanto que essas apagadas escadas já viram e vivenciaram. O quanto de tempo que se passou desde então. E o quanto ele refletiu num momento tão curto.
A essência dele, mudada, por tanta coisa que já viveu. No âmago ele sabia que doía, mas seguiu em frente para encarar mais um dia abarrotado.
Deu uma coceira na mão, para pegar o celular, ligar pra ela já que ainda lembrava o número, falar. Mas foi superior a isso. Por saber que precisava continuar.
Lá dentro incomodou. Mas ele se acostumou. Se perdeu na aula, pensando em quão diferente ele estava desde aquele tempo. Achou muitas respostas, pensou em tantos outros fatores, mas ainda tinha um porém.
Como isso marcava tanto mais que o noivado que não foi pra frente? Por quê, apesar dos pesares, insistia em se lembrar, se magoar?
Acho que no final das contas era só aquela questão do primeiro amor, ou do amor não-resolvido.
Ele, em sala, presente em corpo, ausente em espírito.

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