Os loucos inventaram o amor.

Reza a lenda gregoriana de muito tempo atrás, que um dia, um rapaz meio biruta, completamente diferente dos seus iguais, começou a espalhar uma ideia pelas vilas e povoados da região.

“Descobri uma nova forma de sentimento.” Ele dizia.

“Só pode estar mais doido que nunca.” Ele ouvia.

Não abalado, mas sim motivado, o jovem Hygoriátes seguiu em frente.

Desafiou prognósticos, recebeu diagnósticos, enfrentou problemas óticos e teve surtos psicóticos.

Até que a primeira pessoa acreditou no que ele pregava.

“Acredito na sua nova forma de sentimento.” Ela dizia.

“Eu acredito no seu acreditar na minha descoberta de uma nova forma de sentimento.” Ele dizia.

Sendo assim, viveram o amor. Espalharam o amor.

Dois diferentes de seus iguais que eram iguais nas suas diferenças. Por descobrirem, crerem e viverem, começaram a espalhar por aí, mostrando que além de criativos e inteligentes, não eram egoístas. Dividiram conhecimento. Encontraram mais dos “diferentes” e seguiram espalhando a tal nova forma de sentimento.

Hygoriátes deixou de ser diferente pra passar a ser igual. Aqueles que o julgavam antes louco, passaram a cultivar aquele sentimento também.

Quando resolveram nomear, ficaram em dúvidas por muito tempo. Através de siglas? Um nome normal?

“Hygoriátes, eu acredito no seu acreditar no meu acreditar na sua descoberta de uma nova forma de sentimento”, disse aquela primeira pessoa que o seguiu, “mas nós precisamos de uma nomenclatura antes que se perca o sentido, o propósito, ou ainda pior que te roubem a descoberta.”

O louco filósofo então pediu que se reunissem todos os que acreditavam, para que no dia seguinte ele se pronunciasse acerca do nome, no primeiro raiar do sol.

E foi assim que aconteceu.

“Eu acredito no vosso acreditar na minha descoberta de uma nova forma de sentimento.” Ele dizia. “E justamente por isso aqui estou, perante tantos.” Era gente por demais espalhada naquele vale.

“Após perder a noite toda, entendi que o nome desse sentimento deva ser AMORE!”

E o povo foi à loucura. Explodiram em vivas, palmas, jogaram togas e sandálias pra cima. Aqueles atingidos por Gregorianas (versão primitiva das Havaianas) não gostaram muito. Quando se acalmaram, ele continuou.

“Mas entendam que é uma sigla: Algo Muito Onipotente, Renovador, Eterno.”

Assim foi instituída a primeira definição do que hoje se conhece por AMOR. Claro que nem todos conseguiram ouvir a definição, de tanta gente que já amava. Alguns saíram dali dando outras explicações. Outros deram outro significado. Outros tantos ouviram outro nome.

O porém é que hoje em dia, devido à evolução linguística, dizemos sem o -E no final. O eterno foi tornado implícito através de música, literatura, poesia. E corrompido por tantos que, invejosos desde aquela época gregoriana, deturparam algo tão belo, puro e casto.

Reza a lenda familiar que Hygoriátes foi parente nosso. Vai saber. O problema é não saber o sobrenome por exemplo pra facilitar. Fazer o quê?

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2 comentários sobre “Os loucos inventaram o amor.

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