Mais Um + 1?

Não era tão tarde assim, e ela andava, tranquila, pelas ruas do bairro onde morava. Morena, não tão alta, mas magrela como quase todas as meninas da idade dela queriam ser.
Feliz e despreocupada, o andar era leve. A cabeça ia longe, na conquista da última noite: finalmente conseguira beijar seu professor de Inglês. E estava indo encontrá-lo de novo, para darem uma volta, comerem um lanche.
Nele residia um resquício de esperança que ela tinha em dias melhores. Depois de tantas decepções, ele que morava na mesma rua, era um brilho no fim do túnel.
Atravessando um cruzamento, pensamento longe, sinal fechado, despreocupação e leveza tomaram conta dela uma vez mais, levando-a para o ar, num vôo graciosamente trágico que combinou com o som dos pneus da arrancada do carro que causou tudo isso, bem como as marcas do pneu no asfalto.
Uma lágrima escorreu por não ter tido a oportunidade de saber se estava certa ao menos uma vez na vida, e quando se encontrou com o sangue que escorria profusamente da cabeça, o último suspiro veio com uma sensação de liberdade.

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