Sou ria.

Era uma vez uma carranca. Sisuda. Daquelas que por nada no mundo mudava. Podia acontecer o que fosse, mas era a mesma expressão, impreterivelmente.

Dias cinzas, chuvosos, sem vida, era tudo o que os olhos fundos e tristes conheciam. De tão monótono que era, até o coração batia da mesma forma o dia todo. Nada de acelerar. Nada de descompensar. Nada de nada.

Até que o cinza foi rompido pelo marrom do movimento dos cabelos cacheados, pululando por entre outras tantas cores que apareciam. Mas nenhuma que se comparava. Correu, até não mais poder. Por entre prédios e ruas, foi à caça do tal marrom.

Qual não foi o desespero ao vê-lo entrar num prédio que se esverdeava? E imaginar não mais vê-lo? Correu o que não mais podia.

Ao arfando chegar, nada conseguiu fazer, que não sorrir.

“Prazer…” e sem recuperar o fôlego:
“Obrigado, por fazer meu dia melhor”

“Quem é você?”, perguntaram os cabelos.

“Eu?” E rindo como nunca respondeu:
“Eu era cinza e agora sou cor. Eu era amargura e agora sou amor. Eu era ninguém e agora sou Ria. Sorria. Só ria. Por mim ou pra  mim. Me desculpe a loucura, mas é que agora eu vejo sim. O carmesim, a felicidade, a vida em si.”

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