Solitude

Eu acordo e me deparo com uma bagunça que não existia na noite anterior. Tudo revirado. Parece que uma invasão ocorreu. Me pergunto o quão pesado dormi nessa última noite e, honestamente, não consigo lembrar. Nem da noite passada. Muito mal do dia anterior.

O pouco que me vem à mente é reflexo de algo rotineiro.

Dor. Fuga da dor. Bebida. Palavras. Dor.

Nessas palavras que me fogem pelos dedos nas repetidas dores, nada me vem. Só solidão. O conforto esperado, não. O devaneio parado, não. O choro velado, não. Solidão. Sombra. Vazio. A incapacidade de sentir, volta a me assombrar e eu já penso e só penso em fugir.

Fugir de mim mesmo. Fugir que quem me afugenta. Fugir desse medo de ir.

Penso tanto nessa ainda madrugada que chega me espanto. E por me espantar, acordo.

Olho ao redor e vejo que tudo está no lugar. Vejo que dormi de um dia pro outro, até o anoitecer. Me vejo e reparo que sou dois em mim. Paro por cinco minutos e entendo tudo. A bagunça se encontra por dentro. Não por fora. Acho que estou pagando o pato por todo o tempo vestindo a máscara e não sendo eu. Por fugir da responsabilidade que sempre me assombrou. Por querer sempre ser o lobo solitário da infância e adolescência, trocado pelo adulto brincalhão.

Resolvo então sair. Andar pelas ruas do Centro sempre fazem bem, nesse começo de noite úmido. Calma e tranquilidade me atingem enquanto olho para o tocador de músicas escolhendo a playlist propícia para o momento. Após a escolha, e a entrada da playlist no modo randômico, olho pra cima, ouvindo o seguinte trecho:

I walk a lonely road
The only one that I have ever known
Don’t know where it goes
But it’s home to me and I walk alone
I walk this empty street
On the boulevard of broken dreams
Where the city sleeps
And I’m the only one and I walk alone

E aí me deparo justamente com a cena que descreve exatamente o que está acontecendo.

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Foto tirada pelo maravilhoso Victor Nascimento

O vazio, a escuridão, o eu, perdido, sem ter pra onde ir, se não seguir em frente e encarar o que vier.

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