Metaforicamente metafórico

Vidro estilhaçado. Por todo o lado. Por todo o ar. Por toda a atitude que eu tome. Serão cicatrizes incuráveis, todo e qualquer movimento, até mesmo pensado. E correr não adianta. Andar tampouco. Ficar parado é indiferente, porque nada adianta de nada.

O pior é ficar aqui, admirando a dor que é ver se partir essa vidraçaria tão perfeita que eu construí por tanto tempo. Sem falhas. Sem trincados. Das mais belas que já se viu. Das mais falsas que já se viu.

Acho que esse foi o problema. Talvez se fosse outro material, se manteria em pé, como minha muralha. Não devido à fragilidade do vidro, mas sim aos componentes. Essa é a merda maior. Querer usar demais, forçar demais, sempre custa muito caro. Sempre. Sem exceção. O custo veio agora, com a ruína completa, volto a dizer, de tão belíssima obra.

Uma infelicidade desmerecida. Uma tristeza necessária, pois se trata de aprendizado. A corrupção é o que mata, destroça, estraçalha, a pureza. Como uma mancha numa blusa. Uma ferida no joelho.

Ah, maldita falha estrutural. Ah, crença tola. Nem só de lamentos vive o homem. Agora é deixar os cacos terminarem os ferimentos que causam na pele nua. Juntar, jogar fora, e construir algo mais resistente. Mais forte. Mais firme.

Difícil? Juro que farei, dessa vez, com o triplo de vontade.

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