Temporal

O Tempo perguntou pro Tempo quanto tempo o Tempo tem.

Mas o Tempo, malandro que só, não respondeu pro Tempo que o tempo que o Tempo tem é o tempo que o Tempo tem. Foi além. Relativizou, transformou em metáfora, anedota, contos e causos. Ficou tanto tempo falando que, acredite se quiser, passou muito tempo. Relativizou algo que antes tão simples, se complicou. Complicou? Não, ele dizia.

O Tempo disse pro Tempo que quem faz o próprio tempo é o indivíduo. E que esse tempo individual/individualizado era tão único e característico que não cabia ao Tempo, tão egoísta, tentar definir isso.

O tempo de uma troca de olhares, antes de uma pergunta derradeira, o nascimento de um filho, o primeiro gole de água após uma terrível ressaca, a noite tórrida de amor, aquele chamego, a carne na churrasqueira, ou ainda melhor: viajando, durante a viagem, na volta.

Cada tempo tem seu próprio tempo. Individualizado. Necessário. Nunca demais, nunca de menos. O tempo sempre é o que precisa ser. Felizmente ou infelizmente.

O Tempo ficou absorto por tanto tempo que a noção de tempo se perdeu.

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